Panorama do acampamento João Cândido
. O sertão virou mar
A situação habitacional precária da região fez com que o número de famílias acampadas chegasse a aproximadamente 2.500 em uma semana. A paisagem impressiona: o latifúndio urbano vazio se transformou em um verdadeiro mar de lona preta.
. Quem somos, quantos somos
Para que o movimento conheça melhor a condição de vida dos acampados, está em curso o cadastramento das famílias, que colhe informações essenciais como quantidade de adultos e crianças, situação de emprego e renda familiar.
. Criar poder popular!
Na maior parte da ocupação, os barracos já foram numerados e divididos em núcleos, que têm como objetivo facilitar a organização do acampamento. Cada grupo terá um coordenador e responsáveis pelas principais tarefas setoriais: infra-estrutura, higiene e limpeza e disciplina. Esses companheiros estão sendo definidos nas primeiras reuniões dos núcleos, que tratam dos princípios do movimento e do regimento interno do acampamento.
. Você tem que assumir o comando!
Os coordenadores e companheiros responsáveis por organizar as tarefas setoriais dos núcleos estão participando de reuniões de formação política. Nesses encontros há dinâmicas de trabalho em grupo, discussões sobre o MTST e sobre a organização do acampamento, baseadas na cartilha do movimento. As questões setoriais são abordadas num âmbito político, com a inserção dos acampados na solução dos problemas.
. Ô cirandeiro, cirandeiro, ó
A Ciranda do acampamento João Cândido está realizando atividades com as crianças (a partir de 2 anos) diariamente. Nos primeiros encontros, o coletivo de Educação do MTST têm auxiliado os meninos e meninas a elaborar essa experiência tão intensa que é a ocupação, por meio de rodas de conversa, histórias, atividades artísticas e lúdicas. Como parte desse trabalho, crianças e pais assistiram a uma encenação dos “palhaços sem-teto”, na semana passada. A molecada também deixou o acampamento mais bonito: o barracão coletivo ficou alegre e colorido com desenhos colados na lona preta.
. Fogo no pavio!
Na sexta-feira (23/03), recebemos a visita do rapper GOG, autor do verso Revolucionários do Brasil, fogo no pavio! , que se tornou um grito de ordem do MTST. Entusiasmado com o acampamento, GOG caminhou pelo terreno, manifestou seu apoio à ocupação e cantou com o pessoal. Desta vez, "Revolucionários do Brasil" foi puxado pelo próprio "pai", um dos maiores poetas do Hip Hop brasileiro.
. Agora é nóis!
Uma noite de arte e cultura de resistência da (e na) periferia, à luz da lua, fogueira e lampião. Rap, viola, poesia e teatro, com grande participação da comunidade. Este poderia ser o retrato falado do I Sarau da Ocupação João Cândido, realizado no sábado passado (24/03). Mas não adianta ouvir relatos ou ver fotografias. Para saber o que significam os saraus do MTST, só participando. Perdeu? Não tem problema, sábado que vem tem mais. E no próximo, e no próximo, e no próximo... também. É só "colar" às 20h no acampamento.
. Sessão pipoca
Não, pipoca não tem, mas cinema tem toda noite. A Brigada de Guerrilha Cultural do MTST está promovendo projeções dos vídeos do movimento, filmes populares e documentários. Numa região com tanta carência na área cultural, "pipoca" gente pra assistir às sessões.
. De várzea
Uma das grandes paixões nacionais tem espaço garantido no acampamento. E bota espaço nisso... Que tal morar em um terreno que possui três campos de futebol? As famílias do João Cândido têm esse privilégio. Os campos facilitam a integração do acampamento com a comunidade do entorno (pois vários times da vizinhança jogam no terreno), e garantem o lazer dos acampados (afinal, nem só de trabalho duro vive uma ocupação). Com tanta gente querendo bater uma bola, sempre tem um time de "próximo".
. La lucha sigue
Na assembléia de sábado (24/03), foi marcada uma manifestação para terça-feira (27/03) de manhã. Por questões de segurança, os detalhes da luta serão mantidos em sigilo.
. Gente que apóia a gente
Representantes de movimentos sociais, entidades e parlamentares visitaram o acampamento João Cândido no sábado (24/03) para manifestar apoio à ocupação. Estavam presentes: Conlutas, Fomaesp, Sindicato dos Químicos Unificados, Apeoesp, MR8, PC do B de Santana, Movimento Sem Terra de Taboão da Serra, União dos Movimentos de Moradia Independentes da Zona Sul, Movimento Unificado Sem Teto de São José dos Campos, Sintusp, Sindicato dos Servidores Públicos Federais, assessoria do deputado estadual Carlos Gianazzi, assessoria do deputado estadual Simão Pedro e vereador Paulo Félix (Taboão da Serra). Dos apoios internacionais, compareceram: Tendência Classista Combativa (Uruguai), Central Operária Boliviana e um companheiro do Haiti.
Hoje à noite (23/03), a ocupação João Cândido, em Itapecerica da Serra, completa uma semana de luta e resistência. O acampamento está se estruturando e as atividades culturais já estão a todo vapor. Confira a programação deste final de semana:
. Sexta-feira, 23/03, às 19h30: visita do rapper GOG , um dos mais expressivos e politizados do País.
Estou sonhando? Pensava: me acordem
Quero contar ao meu mundo essa nova ordem
Onde não se compram endereços, se conquista o lar
Sonhando descobri onde podemos chegar
Acordei e não consigo mais me conformar
Onde estamos não podemos ficar
(Rua sem nome, barraco sem número, GOG)
. Sábado, 24/03, às 20h: I Sarau da Ocupação João Cândido: música, poesia, teatro e projeções. Vamos aliar a experiência da Brigada de Guerrilha Cultural do MTST na organização de saraus em outras ocupações e comunidades ao talento e à experiência de vida das famílias do acampamento João Cândido.
Participe! A presença dos amigos e amigas do MTST será muito importante para o fortalecimento da ocupação e da luta das famílias acampadas.
Revolucionários do Brasil, fogo no Pavio!
Como chegar na Ocupação João Cândido:
De ônibus: no Largo da Batata, pegar o Valo Velho e descer no ponto final (Compre Bem). Depois da passarela (ao lado do ponto final), virar à esquerda na rua com placa para o Jd. Cinira. Descer até a padaria Flor do Valo, pegar a direita, na Av. Soldado Gilberto Augustinho, subir esta avenida e virar uma rua depois do Mercado Guimarães.
Ou: no ponto final do Valo Velho, pegar a van Cinira até a entrada do terreno, depois do Mercado Guimarães.
De carro: seguir pela estrada do Campo Limpo até o fim, virar à direita na Estrada de Itapecerica da Serra em direção ao Valo Velho. O acampamento fica na primeira à esquerda depois da passarela do Valo Velho (Km 26), entre a Av. Soldado Gilberto Augustinho e a Rua do Campestre.
The housing situation in the suburbs of São Paulo today is not different to the situation of so many other big cities. The regime of exclusion, misery and carelessness of the State drives millions of families to live in a dreadful way: in the street, in precarious situation of housing, in favelas, risk areas, in houses of friends or relatives, as well as the people that can not pay the rent any more because they are unemployed or because it snatches their minimum life conditions. If they pay the rent, they don’t eat; if they eat, they don’t pay the rent.
Some members of the Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (Movement of homeless workers), tired for being quiet before this condition, occupied the night of Friday, 16th of March, a land with more than one million of square meters in the municipality of Itapecerica da Serra. The area, that is empty and idle, was another land that was used just for property speculation, without following the social function that the federal Constitution determines. The occupation, that consist of more than one thousand of families, is still increasing with the incessant arrival of new people that are determined to place their tends. It means a shout to dignity and to the reclaim of a fundamental right: the access to a decent home in conditions of justice.
The movement of homeless workers has got a history of more than eight years, and it already obtained several victories. The last one was an agreement with the federal govern to include in a housing program, all the 860 families of suburbs that last year kept during eight months another occupation in the metropolitan region, “the Chico Mendes Community”. They achieved with their struggle that their right to a decent home became reality. In a similar movement to the one that was already made with rural property, by the undressing of the concentration of land, the homeless as the landless, present the agrarian reform and the urban reform as two sides of the same coin; Different moments of a common struggle, solved in the taking of unproductive earth, and buildings and lands with no use.
Where there is necessity, there is a forgotten right. There are human’s rights that might be respected. Those rights are materialised in the Brazilian Constitution in this order of importance: life, freedom, equality, security, propriety. If the rights are in that order it is not casual; it means that the right to life precedes the right to propriety. As the housing right figures as a human right, it also precedes the right to private propriety of the large state, being rural or urban.
We believe that humanity can and must, day after day, polish the frame of its sovereignty, the lived word of the struggle of people, instead of the dead word of the private propriety. For these reasons, the signatories below, in solidarity with the rebel dignity of the combative suburbs of São Paulo, linked this time to the fighters of the Movement of homeless workers, demand:
- The respect of the right of life in front of private propriety; This supposes a immediate cancellation of the evacuation threat.
- The acceptance of a negotiation of the mayor of the locality, and the all public power: federal, stated, and municipal. The negotiation will have to find a solution for the following of the right to housing of all the camped people. It will be able to be by the buying of the land, or by the inclusion of them en a hosing program.
- In the context of gravity and urgency of the housing problem in Brazil, that is a consequence of the negligence of authorities, we demand that authorities undertake to carry out an urban reform that guarantees to all citizens the right to city and the right to a decent home.
Señor/a Secretario/a,
Tomé conocimiento de la ocupación de un gran área urbana en Itapecerica da Serra (SP) por más de 1000 familias, reivindicando una vivienda digna en aquella que es una de las regiones con mayor déficit habitacional de Brasil.
Creemos que las reivindicaciones de los acampados – por el derecho constitucional a la vivienda – son justas y se inscriben entre los derechos humanos fundamentales. Así, escribo a su excelencia para prestar apoyo a estas familias y para solicitar que se atiendan sus reivindicaciones:
- una reunión con la participación de los gobiernos municipal, estadual e federal representados por personas cualificadas y dotadas de poder de decisión, y que puedan, por tanto, resolver efectivamente el problema;
- la expropiación del área ocupada y la construcción de viviendas populares para las más de 1000 familias de la comunidad João Cândido.
Estamos atentas y atentos a cualquier violación de los derechos humanos. La Cámara Municipal, Estadual y Federal, además del Ayuntamiento, Gobierno del Estado y Federal, son responsables por la garantía de esos derechos, siendo también responsables esas autoridades por las consecuencias de su acción u omisión.
Atentamente,
Organization and hard work are the marks of the first moments of the new ocuppation of MTST, in Itapecerica da Serra. We cannot accept that the eviction threats destroy the dream - and the right - of thounsand of families of giving their children a dignified home. The right to life is more important than the right to property. Support the João Cândido Ocupattion.
SIGN IT:
* Organization signature form
* Individual signature form
SEE WHO'S SUPPORTING US:
Organizations
Individuals
* Letter model
* Adresses of authorities to send support letters to João Candido
A situação da moradia na periferia de São Paulo não é hoje distinta da situação de tantas outras grandes cidades. O regime de exclusão, miséria e descaso do Estado empurra milhões de familias a viver de forma indigna: na rua, em situação precária de moradia, em favelas, áreas de risco, morando de favor na casa de amigos ou parentes, além das pessoas que não conseguem mais pagar o aluguel porque estão desempregadas ou porque o mesmo arrebata suas condições mínimas de vida. Se pagam aluguel, não comem; se comem, não pagam aluguel.
Cansados de se calar diante desta condição, as lutadoras e lutadores do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto ocuparam, na noite de sexta-feira, 16 de março, um terreno de mais de 1 milhão de metros quadrados no município de Itapecerica da Serra. A área, vazia e ociosa, era mais um terreno destinado à especulação imobiliária, não cumprindo com nenhuma função social, como determina a Constituição Federal. A ocupação, que já conta com mais de mil famílias, continua crescendo com a chegada incessante de novas pessoas dispostas a montar suas barracas, no que se supõe um grito pela dignidade e reclamo de um direito fundamental, que é o acesso a uma habitação digna.
Com uma história de mais de oito anos, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto já conseguiu numerosas vitórias, sendo a última um acordo com o governo federal para incluir num programa habitacional as 860 famílias da periferia, que o ano passado mantiveram durante oito meses outra ocupação na região metropolitana: a Comunidade Chico Mendes conseguindo assim, com sua luta, que seu direito a uma moradia digna se tornasse realidade. Num movimento semelhante ao que já fora feito com a propriedade rural, ao desnudar a concentração de terra no interior do País, os sem-teto, como os sem-terra, apresentam a reforma agrária e a reforma urbana como faces de uma mesma moeda, momentos distintos de um embate comum, resolvido na tomada de terra improdutiva e de prédios e terrenos sem uso.
Onde há uma necessidade, há um direito esquecido.
Juridicamente falando, existem direitos humanos que devem ser respeitados. Estes direitos são materializados na Constituição brasileira nesta ordem de importância: vida, liberdade, igualdade, segurança, propriedade. Se os direitos estão nessa ordem, não é por acaso; significa dizer que o direito à vida antecede o direito à propriedade. Já que o direito à moradia figura nos direitos humanos, ele também antecede o direito à propriedade privada do grande latifúndio rural ou urbano.
Acreditamos que a humanidade pode e deve lapidar no seu cotidiano a armadura de sua soberania, a palavra viva da luta de um povo em vez da palavra morta da propriedade privada. Por isso, os signatários que se colocam abaixo em solidariedade com a dignidade rebelde da periferia combativa de São Paulo, colocados desta vez nas lutadoras e lutadores do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, exigem:
- Que o direito à vida seja respeitado antes da propriedade privada, o que supõe a suspensão imediata das ameaças de despejo.
- Que tanto o prefeito da localidade como todo o poder público – nas esferas federal, estadual e municipal – aceite tratar de uma solução para o cumprimento dos direitos de habitação de todos os acampados, seja através da compra do terreno, seja através da inclusão dos mesmos num programa habitacional.
- Que dada a gravidade e a urgência do problema da moradia no Brasil, conseqüência da negligência das autoridades competentes, que as mesmas se comprometam desde já a pôr em marcha uma reforma urbana que garanta o direito à cidade e o direito a uma moradia digna para todos os cidadãos.
Dear Sir/Madam Secretary,
I learned about a urban area in Itapecerica da Serra (SP) squatted by more than one thousand families, demanding dignify housing condictions in an area which is one of the regions with bigger habitacional deficit of Brazil.
We believe that the demands presented by the people camping in the area - for the constitutional right of access to housing - are fair and belong to the basic human rights.
Thus, I write to you Sir/Mandam as an act of support those
families and to ask that their demands are answered:
- a meeting with the Federal, State and Municipal Governments, represented by the qualified people and empowered to make decisions, and for that, be able to resolve the prolem effectively;
- the desapropriation of the area squatted and the construction of popular houses for the over one thousand families from the Joao Candido Community.
We are following the facts and we have our eyes on any human rights violation attempts. The City, the State and the Federal councils, together with the City hall, Federal and State Government are responsible for the guarantee of these rights, and responsible for the consequencies of their acts or omission.
Sincerely,
Para envio rápido:
prefeitura@itapecerica.com.br,gabitapecerica_pm@hotmail.com,promocaosocialpmis@yahoo.com.br,ouvidoria@habitacao.sp.gov.br,ouvidoria@casacivil.sp.gov.br,snh@cidades.gov.br,snh-duap@cidades.gov.br
Prefeitura Municipal de Itapecerica da Serra
R. Major Manoel Francisco de Moraes, 286 - Centro
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11 4667-1422
prefeitura@itapecerica.com.br
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gabitapecerica_pm@hotmail.com
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