O acampamento que abriga parte das famílias da Ocupação João Cândido, constituído na área provisória da Vila Calu, completou um mês de existência. Os acampados estão organizando uma festa de comemoração, com mística, sarau, apresentações culturais, bolo e participação dos apoiadores e lideranças comunitárias da região. É uma boa oportunidade para os amigos e amigas do MTST conhecerem ou visitarem o acampamento, que fica na divisa entre São Paulo e Itapecerica da Serra.
Presença confirmada de:
* Gaspar - Zafrica Brasil
* Cocão - Versão Popular
* Jairo - Periafricania
* Sales
* Dugueto - Denegri
* Trupe Lona Preta de Palhaços
Data: sexta-feira, 22 de junho.
Horário: a partir das 19h.
Local: Acampamento da Vila Calu - Comunidade João Cãndido. Rua Plínio Dias, s/nº, Vila Calu - Divisa entre Itapecerica da Serra e São Paulo.
Referência: Campinho da Vila Calu.
Como chegar no acampamento de ônibus : No terminal Santo Amaro, pegar a linha Vila Calu/Terminal Santo Amaro, descer no ponto final e perguntar onde é o campinho da Vila Calu.
ou:
No largo de Pinheiros, pegar a linha Jd. Jacira/Pinheiros, descer no Terminal Jardim Jacira e perguntar onde é o campinho da Vila Calu.
Panorama do acampamento João Cândido
. O sertão virou mar
A situação habitacional precária da região fez com que o número de famílias acampadas chegasse a aproximadamente 2.500 em uma semana. A paisagem impressiona: o latifúndio urbano vazio se transformou em um verdadeiro mar de lona preta.
. Quem somos, quantos somos
Para que o movimento conheça melhor a condição de vida dos acampados, está em curso o cadastramento das famílias, que colhe informações essenciais como quantidade de adultos e crianças, situação de emprego e renda familiar.
. Criar poder popular!
Na maior parte da ocupação, os barracos já foram numerados e divididos em núcleos, que têm como objetivo facilitar a organização do acampamento. Cada grupo terá um coordenador e responsáveis pelas principais tarefas setoriais: infra-estrutura, higiene e limpeza e disciplina. Esses companheiros estão sendo definidos nas primeiras reuniões dos núcleos, que tratam dos princípios do movimento e do regimento interno do acampamento.
. Você tem que assumir o comando!
Os coordenadores e companheiros responsáveis por organizar as tarefas setoriais dos núcleos estão participando de reuniões de formação política. Nesses encontros há dinâmicas de trabalho em grupo, discussões sobre o MTST e sobre a organização do acampamento, baseadas na cartilha do movimento. As questões setoriais são abordadas num âmbito político, com a inserção dos acampados na solução dos problemas.
. Ô cirandeiro, cirandeiro, ó
A Ciranda do acampamento João Cândido está realizando atividades com as crianças (a partir de 2 anos) diariamente. Nos primeiros encontros, o coletivo de Educação do MTST têm auxiliado os meninos e meninas a elaborar essa experiência tão intensa que é a ocupação, por meio de rodas de conversa, histórias, atividades artísticas e lúdicas. Como parte desse trabalho, crianças e pais assistiram a uma encenação dos “palhaços sem-teto”, na semana passada. A molecada também deixou o acampamento mais bonito: o barracão coletivo ficou alegre e colorido com desenhos colados na lona preta.
. Fogo no pavio!
Na sexta-feira (23/03), recebemos a visita do rapper GOG, autor do verso Revolucionários do Brasil, fogo no pavio! , que se tornou um grito de ordem do MTST. Entusiasmado com o acampamento, GOG caminhou pelo terreno, manifestou seu apoio à ocupação e cantou com o pessoal. Desta vez, "Revolucionários do Brasil" foi puxado pelo próprio "pai", um dos maiores poetas do Hip Hop brasileiro.
. Agora é nóis!
Uma noite de arte e cultura de resistência da (e na) periferia, à luz da lua, fogueira e lampião. Rap, viola, poesia e teatro, com grande participação da comunidade. Este poderia ser o retrato falado do I Sarau da Ocupação João Cândido, realizado no sábado passado (24/03). Mas não adianta ouvir relatos ou ver fotografias. Para saber o que significam os saraus do MTST, só participando. Perdeu? Não tem problema, sábado que vem tem mais. E no próximo, e no próximo, e no próximo... também. É só "colar" às 20h no acampamento.
. Sessão pipoca
Não, pipoca não tem, mas cinema tem toda noite. A Brigada de Guerrilha Cultural do MTST está promovendo projeções dos vídeos do movimento, filmes populares e documentários. Numa região com tanta carência na área cultural, "pipoca" gente pra assistir às sessões.
. De várzea
Uma das grandes paixões nacionais tem espaço garantido no acampamento. E bota espaço nisso... Que tal morar em um terreno que possui três campos de futebol? As famílias do João Cândido têm esse privilégio. Os campos facilitam a integração do acampamento com a comunidade do entorno (pois vários times da vizinhança jogam no terreno), e garantem o lazer dos acampados (afinal, nem só de trabalho duro vive uma ocupação). Com tanta gente querendo bater uma bola, sempre tem um time de "próximo".
. La lucha sigue
Na assembléia de sábado (24/03), foi marcada uma manifestação para terça-feira (27/03) de manhã. Por questões de segurança, os detalhes da luta serão mantidos em sigilo.
. Gente que apóia a gente
Representantes de movimentos sociais, entidades e parlamentares visitaram o acampamento João Cândido no sábado (24/03) para manifestar apoio à ocupação. Estavam presentes: Conlutas, Fomaesp, Sindicato dos Químicos Unificados, Apeoesp, MR8, PC do B de Santana, Movimento Sem Terra de Taboão da Serra, União dos Movimentos de Moradia Independentes da Zona Sul, Movimento Unificado Sem Teto de São José dos Campos, Sintusp, Sindicato dos Servidores Públicos Federais, assessoria do deputado estadual Carlos Gianazzi, assessoria do deputado estadual Simão Pedro e vereador Paulo Félix (Taboão da Serra). Dos apoios internacionais, compareceram: Tendência Classista Combativa (Uruguai), Central Operária Boliviana e um companheiro do Haiti.
O nome do núcleo do MTST no Embu homenageia um grande lutador negro. Você sabe quem foi Solano Trindade?
O texto a seguir foi distribuído no Sarau do Jardim Helga, em 17 dezembro de 2006, quando assistimos ao documentário "Imagens de uma vida simples", produzido pelo NCA (Núcleo de Comunicação Alternativa), em parceria com a Cia. Teatral Sansacroma.
“Canto de negro dói, canto de negro mata
canto de negro faz bem e faz mal
negro é como couro de tambor
quanto mais quente, mais toca
quanto mais velho, mais zuada faz!”
O palco é Recife-PE, 1908. Ali, no bairro São José, no dia 24 de julho nasceu Solano. Seu pai, o sapateiro Manuel Abílio dançava Pastoril e Bumba-meu-boi. Solano o acompanhava. Já sua mãe, Emerenciana (chamada de dona Merença), quituteira e operária, pedia que seu filho lesse para ela novelas, literatura de cordel e poesia romântica. Solano estudou na escola até pó equivalente ao segundo grau e cursou um ano de desenho no Liceu de Artes e Ofícios do Recife. Sua formação aconteceu mais e melhor fora das instituições.
Solano Trindade foi poeta, pintor, teatrólogo, cineasta, ator e folclorista. Sua trajetória como militante inicia-se, de fato, a partir de 1930, quando começa a compor poemas afro-brasileiros e ajuda a organizar em 1934 o I e II Congresso Afro-Brasileiro, no Recife e em Salvador-BA. Em 1936 participa da fundação da Frente Negra Pernambucana e do Centro de Cultura Afro-Brasileiro, com o objetivo de divulgar os intelectuais e artistas negros. Nunca deixaria o movimento negro, que foi fundamental na formação do artista.
Em 1940 transfere-se para Belo Horizonte–MG. Depois chega ao Rio Grande do Sul, fixando-se por um curto tempo na cidade de Pelotas, onde funda, com o poeta Balduíno de Oliveira, um grupo de arte popular. Esta foi sua primeira tentativa de criar um teatro do povo, o que não se concretizou devido à enchente de 1941, que carregou todo o material. Incansável, voltou então para Recife, indo logo depois para o io de Janeiro-RJ, onde, no “Café Vermelhinho”, conversa e articula ações com jovens poetas e intelectuais, artistas de teatro, militantes e jornalistas. No Rio, filiou-se ao Partido Comunista e as reuniões da célula Tiradentes ocorriam em sua casa.
Casado com Margarida, Solano teve quatro filhos: Raquel, Godiva, Liberato e Francisco Solano, família que se manteve unida, entregue à arte, à revolta e à força pra libertação. Uma das provas disso foi o episódio de sua prisão, em dezembro de 1944, após publicar "Poemas de uma vida simples" – onde se encontra seu conhecido “Trem sujo da Leopoldina”. Durante a perseguição aos comunistas, a polícia consegue entrar em sua casa e, apesar de Liberato estar deitado, doente, eles reviram o barraco e os colchões, à procura de armas. Exemplares de seus livros são apreendidos. Então, Raquel e a mãe Margarida percorrem as cadeias até encontrá-lo. “Quando sai, Solano parece fortalecido. Embora tenha olhos tristonhos, seu otimismo é contagiante”, relata Márcio Barbosa. Sai da prisão mais determinado a dar continuidade à luta em todos os cantos. Em 1945, com Abdias do Nascimento e outros tantos militantes, funda o Comitê democrático Afro-brasileiro e o teatro Experimental do negro, experiências importantes do movimento negro que retomavam a experiência da diáspora africana e valorizavam a cultura afro-brasileira. Exemplos de luta inspiradores para nós.
Em 1954 já está em São Paulo, criando, na cidade do Embu, junto à família e outros guerreiros, um pólo de cultura e tradições afro-americanas. Em São Paulo, também funda o Teatro Popular Brasileiro – TPB, onde desenvolveu uma intensa atividade cultural voltada para o folclore e para a denúncia do racismo. Em 1955 viaja para a Europa com o TPB, onde apresenta espetáculos de canto e dança. Em 1958 edita "Seis tempos de poesia"; em 1961, "Cantares ao meu povo" (com uma reunião de poemas anteriores). No exterior (Praga) realizou o documentário "Dança Brasil". Como ator, trabalhou nos filmes "Agulha no Palheiro", "Mistérios da Ilha de Vênus" e "Santo Milagroso". Em 1964, seu filho Francisco é morto pela ditadura. Em meados da década, incomodado com a exploração turístico-comercial de sua amada Embu, deixa a cidade e vai viver na capital paulista.
Em 1969 Solano adoece e depois de passar por várias clínicas e muitas dificuldades (diferentemente de heróis burgueses), morreu pobre numa clínica em Santa Tereza, no Rio de Janeiro, em 19 de fevereiro de 1974. Sua luta e obra não! Junto com sua família guerreira, que continua lutando no Embu (sua filha Raquel, suas companheiras e companheiros são exemplos), como que escrita com brasas na pele escura de todoafrodescendente, de todo oprimido independente de sua cor. Os militantes do MTST prestam mais essa homenagem, batizando nosso núcleo do Embu com seu nome... SOLANO TRINDADE: PRESENTE!
Fontes: Livros de poesia de Solano; “Solano Trindade: poeta do povo”, de Márcio Barbosa; Pernambuco de A/Z; Internet.
A Brigada de Guerrilha Cultural convida os amigos do MTST para o SARAU no Jardim Helga.
A chama da liberdade será renovada no próximo domingo, 17 de dezembro, a partir
das 19h.
A atividade está sendo organizada em parceria com a Associação Periferia Ativa e
outras entidades. No local, haverá a exposição "Periferia mostra sua arte", com
artesanato, quadros, livros e roupas, entre outros.
Contamos com a participação de todos!
Revolucionários do Brasil
Fogo na fogueira do sarau
Fogo no pavio!
Revolucionários do Brasil
Fogo na fogueira da Guerrilha Cultural
Fogo no pavio!
Nesse sábado dia 02 de dezembro foi inaugurada mais uma biblioteca em uma comunidade. O MTST acredita que com a educação feita por nós mesmos poderemos construir lutadores e lutadoras do amanhã.
A biblioteca está aberta à comunidade vizinha, que recebeu com felicidade a inauguração; o bairro não conta com nenhuma biblioteca.
Continuamos aceitando doações de livros! Entre em contato pelo email mtst@riseup.net ou diretamente no local, em Osasco.












