Os guerreiros do hip-hop Alessandro Buzo e GOG falam de suas trajetórias no movimento e seus projetos futuros na semana de lançamento de "Suburbano convicto - pelas periferias do Brasil" e "Guerreira", livros respectivamente organizado e escrito por Buzo. GOG estará em São Paulo e fará show no acampamento João Cândido do MTST na Vila Calu.
Danilo Siqueira Dara
A trajetória de vocês no hip-hop...
GOG - O hip-hop no DF teve sua origem nos anos de 81/82, faço parte dessa primeira geração. Tudo foi mágico. Muita coisa que imaginávamos hoje está acontecendo, algumas boas, outras nem tanto. Mas o fator mais marcante do hip-hop na minha vida é o poder de transformação que ele tem no seu discurso, no seu método. Sou uma eterna construção, não sei de nada totalmente, aprendo todo dia mais um pouco, na tentativa de ser uma pessoal útil ao planeta.
BUZO - Eu entrei no hip-hop via 5o elemento (conhecimento), antes só curtia as músicas. Depois do primeiro livro eu fui indo em vários eventos e conhecendo cada vez mais os grupos e pessoas importantes no hip-hop como o Nino Brown. Depois passei a ser colunista de sites (Enraizados, Rap Nacional e Real Hip Hop), nasceu o evento “Favela toma conta”, passei a ser colunista e depois repórter da revista Rap Brasil. Hoje respiro rap nacional.
Como surgiu o "Favela toma conta", Buzo, e em que pé ele está?
B - Surgiu na rua que eu moro, vi uns 15 moleques jogando basquete no posto, a tabela era um aro de bicicleta e disse: falta tudo aqui, quem sabe um evento ajuda a dar uma animada. Fiz os dois primeiros na rua de casa e depois em outros 3 lugares no bairro do Itaim Paulista, extremo leste de São Paulo. Arrumo sozinho quase tudo, atrações, estrutura, despesas. Não tenho uma equipe, não que não queira, mas muitos querem dividir antes mesmo de somar. O evento aconteceu 3 vezes só esse ano de 2007, dia 12 de outubro acontece a 14a edição que será especial "dia das crianças", com distribuição de brinquedos, pelo 4o ano nesse dia especial. Tudo isso sem um apoio fixo, sem quase nada de grana, o que requer muitos contatos, isso eu tenho.
Sobre a relação de vocês com a literatura.
G - Minha mãe foi professora do ensino fundamental, meu pai perambulou por várias profissões: borracheiro, porteiro, corretor de imóveis. O incentivo à leitura e à escrita foi um dado unânime na criação que os dois me deram. Desde criança participava de ditados, muito caderno de caligrafia, e leitura. Isso hoje é o que me dá base para exercer a minha profissão. Tenho muita facilidade, posso dizer até uma cumplicidade com a leitura e a escrita.
B - Conheci a literatura pequeno porque minha mãe sempre estava lendo e comprava livros e gibis pra mim e pro meu irmão, passei a escrever em fanzines e jornais de bairro. Em 2000 lancei independente meu primeiro livro e não parei mais, foram 4 livros independentes.
Ainda sobre formação, queria que você GOG falasse um pouco da sua relação com o marxismo.
G - A teoria marxista é o solo em que piso. Sem ela não sei o que seria do GOG, dos seus argumentos, dos seus textos. A minha aproximação com o marxismo data dos meus tempos de Faculdade, veio então um aprofundamento da leitura, nos debates, nos questionamentos e a certeza de que o solo era realmente firme. O materialismo dialético é algo que me fascina e que me mantém longe de muitas doutrinas que fazem da transitoriedade do homem na terra e da falta de respostas uma jogatina sem fim. Vejo claramente que a falta de leitura e historicidade de vários integrantes da esquerda, principalmente a brasileira, é um fator decisivo na tomada de decisões equivocadas e que consequentemente fortalecem a elite com argumentos falsos, mas superficialmente convincentes, de que o socialismo e toda a teoria marxista é coisa do passado, ultrapassada. Hoje a grande questão é definir: o que é ser de esquerda? A minha resposta é dada nos meus textos e no meu modo de agir.
Por falar em faculdade, quase 100% das vagas em cadeias públicas não-especiais são para pretos e pobres? São a favor das cotas?
B - Se rico fosse preso, ia faltar cadeia. Mas um rico preso, desvia mais dinheiro que o valor que todos detentos de uma penitenciária juntos roubaram; desvio de verba, superfaturamento, e quem paga é o povo. Lalau desviou 169 milhões e está em prisão domiciliar, deixa ele morrer na cadeia, mas não, 169 milhões paga muita gente, compra liberdade.
G - Olha, falo disso e começo a me arrepiar todo. É porque essa leitura me dá a certeza que eles (a elite racista e preconceituosa) estão ganhando o jogo, e de goleada. E pior, no Brasil há mais de 500 anos, e o jogo ainda demora pra ser virado. Sou a favor de ações, políticas afirmativas, de tomada de decisões sérias, marcação de espaço e definição de quem é quem nesse jogo (luta de classes). Percebo que o pior inimigo é o que está próximo, aliado, mas fazendo o jogo do inimigo.
Como vocês pensam a proximidade entre o hip-hop e outros movimentos sociais.
G - Não vejo outro caminho para o hip-hop e os demais movimentos sociais que não seja o da interação, do diálogo, da utilização das redes de comunicação já montadas. Mas falta algo que proporcione essa aproximação. Talvez seja todos admitirem que ninguém é dono da verdade.
B - Penso que temos que correr juntos, todos falamos a mesma língua e lutamos por ideais iguais ou parecidos. Eu sou branco e me identifico 100% com o movimento negro, porque sou pobre e passo vários problemas de ordem financeira, descaso e preconceito. Não racial, mas é preconceito também, minha mulher é negra e amo ela, nosso filho é mestiço. A luta não tem que ser racial, tem que ser de classe social, combater a elite que domina e massacra. Me identifico com os sem-terra, sem-teto, porque sou um também, moro numa casa de 2 cômodos com córrego fedendo atrás e tem gente que só vê minhas realizações e pensa que sou rico. Só tenho disposição em dobro, acredito nos meus projetos antes de todo mundo.
Você esteve recentemente no congresso Nacional do MST, e no acampamento João Cândido do MTST, onde fará um show este sábado. É um rapper afro-comunista?
G - Não tenho definição. É o que eu sinto e os outros percebem. Não adianta um discurso engajado, sem ações que o fortaleça. Sou um ser humano em construção, todo dia uma parede é erguida, outra derrubada, mas sem mexer nos meus pilares, que são pedras fundamentais do meu pensamento. Logo visitar e manter uma relação de parceria, respeito e solidariedade com o MST e com o MTST são para mim sinais claros que a luta continua, de que não estou só, tenho parceiros e que a realidade pode ser transformada com postura, atitude, organização e determinação. Ouvir os acampados do João Cândido gritando o verso "Revolucionários do Brasil: fogo no pavio, fogo no pavio!" entoado como grito de ordem, de guerra, de melhoria por milhares de pessoas que realmente acreditam na transformação foi algo que me deixou muito pensativo, feliz e cada vez mais concentrado na minha caminhada que sempre trabalhei para correr pelo certo.
E a melhor forma de correr entre os que prometem Reino dos Céus e a Cidade de Deus na Terra, armados de diversos meios?
G - Estar sempre atento. Eles possuem armas poderosas e não vão se entregar. Mas os passos a serem tomados pelo povo têm que ser apresentados com sapiência, senão vira banho de sangue.
B - Sinceramente, acredito em quem trabalha pelo coletivo e corre atrás sem esperar cair do céu. Do céu só cai chuva e infelizmente às vezes avião. Terra prometida não existe, mude a sua própria quebrada, sua rua, para melhor e estará fazendo sua parte. A revista Rap Brasil, por exemplo, é a única revista de rap com circulação nacional na banca. Temos que consumir nossos produtos, senão a editora tira a revista de circulação. Quem faz a revista ama o rap, mas a editora quer saber de números. Acho que tudo na vida temos que fazer bem feito, senão seremos mais um. Meu blog (www.suburbanoconvicto.blogger.com.br) é atualizado todo dia e nem por isso abrimos para assuntos vazios. O conteúdo é de qualidade, isso faz a diferença, só assim mostraremos o que de melhor aparece nas periferias do Brasil.
Conta mais GOG dessa treta em defesa do Piauí, contra a Phillips e o movimento "Cansei".
G - O Movimento "Cansei" parece até uma piada, mas é na verdade muito mal intencionado. Não pelos artistas que assinaram o "Manifesto", mas pelos seus idealizadores. Quem tem um pouco de conhecimento histórico sabe da semelhança entre esse movimento e as manifestações por um "Brasil melhor” que aconteceram nos anos 60, mais precisamente em 64, pouco antes do golpe militar. Eles têm em mente, como estratégia, alimentar esse sentimento, desestabilizar o governo e a sociedade. Não se conformam em ter alguém de ascensão popular como chefe maior do nosso país. Não estou nem aí pro boicote deles, tenho meu povo, meu público e meu espaço, dignos e conquistados com trabalho e seriedade. Agora, o Sr. Paulo Zottolo vai ouvir! Já gravei “Direito de Resposta”, terminamos o vídeo e estaremos em breve entregando nossa versão dos fatos ao governador do Piauí, Wellington Dias. Outra cópia será enviada ao presidente da Philips na América Latina. Isso não pode passar batido. Fui gerado no Piauí. Minha família é toda do estado, embora acredite que todos os brasileiros deveriam se manifestar. Estou fazendo o que acredito.
Queria que você Buzo falasse da idéia central do seminário "Cultura e pensamentos livres", que está organizando junto ao grupo Epidemia em São Paulo e no Ceará, e inclusive o GOG também vai participar.
B - A idéia central é promover debates (palestras), mesclando pessoas da periferia com acadêmicos, pessoas de outras classes sociais, para que um veja o outro e vice-versa. Trocar mesmo, não podemos nos fechar. Mas isso não quer dizer se vender, quer dizer mostrar o nosso talento e chamar quem pode ajudar, financeiramente ou não, para somar. Se um cineasta pode ir fazer uma oficina na minha quebrada, isso me interessa, não só a grana dele, o seminário vai ser útil para misturar as classes.
Como você vê a ampliação dos espaços culturais nas quebradas? O que sugere pra avançarmos mais?
B - Montei a Biblioteca Comunitária Suburbano Convicto há dois anos e hoje ela funciona sozinha, sem depender da minha presença: olha o progresso. Quanto aos cineclubes populares acho fantástico: teatro e cinema tem que ter na periferia também. Hoje acreditamos que podemos fazer literatura, cinema, teatro, e vários lokos estão fazendo. Eu tô nesse bonde, pretendo fazer alguma coisa em 2008, uns documentários, trabalho numa produtora de vídeo (DGT Filmes) e lá está sendo minha escola. Acho que para avançarmos mais, temos que chamar cada vez mais gente para se envolver, criar interesse e buscar parceiros financeiros, colocar os projetos no papel e correr atrás. Mas pode ter certeza, a luta só acaba quando o ultimo de nós cair.
E a idéia da coletânea "Suburbano convicto - pelas periferias do Brasil" surgiu como?
B - Faço parte do núcleo de literatura periférica da Ação Educativa. Quando num de nossos encontros o Eleílson disse que a Ação apoiaria alguns livros, sugeri a coletânea, convidei algumas pessoas e outras apareceram naturalmente. Todos os passos do livro foram acompanhadas por todos via e-mail coletivo, vamos lançar dia 25/09 em São Paulo e a idéia é fazer em alguns dos outros 6 estados envolvidos. Vamos ver se conseguimos apoio pra isso.
G - Quando recebi o convite, disse que na realidade era uma convocação. Aceitei no primeiro momento e me confesso muito ansioso para o lançamento, as ações que vão ser tomadas e possibilidades de acesso às comunidades que nos será proporcionado. Temos que trabalhar muito. Tenho certeza que o time é de primeira.
Quais seus outros principais projetos atuais?
B - Lançar meu livro "Guerreira" dia 05/10 pela Global Editora; terminar a correção do livro: “Do conto à poesia”, que pretendo lançar em 2008; finalizar o outro que estou escrevendo: "Profissão MC". De vida é comprar uma casa para minha família, pra isso luto tanto. Continuar fazendo as coisas que tenho feito já ta de bom tamanho.
G – Em relação ao rap, na realidade não somos um grupo, somos uma família formada por várias pessoas com proximidade de pensamentos. O DJ Tiago, Rapadura e o Lindomar 3L estão com seus discos sendo produzidos e logo, logo sairão pelos quatro cantos do Brasil, apresentando suas propostas. E eu GOG estarei garimpando novos talentos para me acompanhar nos palcos da vida. Esse processo já aconteceu com o grupo A Família. Acabei de finalizar o clipe de “Cavalo sem dono selvagem”, tentando mostrar e provar que muito pouca coisa mudou, que a estratégia do sistema é outra e que a maldade continua a mesma. E meu primeiro DVD, “Cartão-Postal-Bomba”, está em fase final de edição. Estamos trabalhando dia e noite para que chegue às mãos dos guerreiros e guerreiras em dezembro. Mas a prioridade é fazer um trabalho de qualidade, que dê orgulho a quem assistir.
Danilo Siqueira Dara é historiador e membro do coletivo de cultura do MTST.
Quem é Alessandro Buzo?
Nascido na capital, cresceu no Itaim Paulista (extremo leste) e tem 35 anos. É escritor, arte-educador, agente cultural. Em 2002, publicou de forma independente seu primeiro livro, “O Trem - Baseado em Fatos Reais”, depois veio o fanzine “Boletim do Kaos”, semanal, gratuito (atualmente na edição 148º ). Participou de coletâneas de “Literatura Marginal” da Caros Amigos e “Rastilho de Pólvora” da Cooperifa, e vieram outros livros independentes como “O Trem - Contestando a Versão Oficial” e “Guerreira” (agora relançado pela Global). Colunista de sites voltados ao hip-hop (Enraizados, Rap Nacional e Real Hip Hop), é também repórter da revista Rap Brasil e organiza o evento “Favela toma conta” na sua quebrada. Mais info: www.suburbanoconvicto.blogger.com.br .
Quem é GOG?
Genival Oliveira Gonçalves, conhecido nacionalmente pela sigla GOG, é considerado um dos grandes pilares da cultura hip-hop nacional. Nascido e criado na periferia de Brasília, filho dos nordestinos Sebastiana e Genésio Gonçalves – seus mestres -, desde os tempos do break em 1982 sua originalidade poética, militância política e força rítmica resultaram numa potente família ao seu lado. Já lançou em sua carreira mais de 8 discos, entre eles “CPI da Favela” (2000), “Tarja Preta” (2004) e o último “Aviso às gerações” (2007). Hoje coordena o projeto Só Balanço, núcleo que comporta um selo, um estúdio e duas lojas no Distrito Federal. Atualmente GOG tem como parceiros mais próximos, independente de sua carreira com os DJ Tiago, Rapadura e Lindomar 3L, os rappers engajados Demis Preto Realista, Gato Preto, Crônica e o DJ Bira, que formam o grupo “A Família”. Para o fim de ano GOG prepara seu primeiro DVD, “Cartão-Postal-Bomba”.
Acontecerá nesse sábado uma assembléia geral na Comunidade da Vila Calu, para anunciar os avanços nas negociações das últimas semanas e a finalização de acordos que estavam que estavam em negociação. Essas conversas incluíram a Caixa Econômica Federal e o CDHU, que estarão representados no ato político.
Na segunda parte do ato ocorrerá um grande evento cultural, com a participação de vários nomes do Hip Hop nacional:
GOG
(RAPADURA E LINDOMAR 3L)
PERIAFRICANIA
PRETO SOUL
VERSÃO POPULAR
+ GRUPOS DA QUEBRADA
Serão passados também VÍDEOS e ocorrerá uma APRESENTAÇÃO DE TEATRO interpretada pela Brigada de Guerrilha Cultural do MTST.
Pedimos a colaboração de 1kg de alimento ou 1 livro. A doação é facultativa.
AGORA É NÓIS!!!
Veja também uma entrevista com GOG realizada pelo MTST.
O acampamento que abriga parte das famílias da Ocupação João Cândido, constituído na área provisória da Vila Calu, completou um mês de existência. Os acampados estão organizando uma festa de comemoração, com mística, sarau, apresentações culturais, bolo e participação dos apoiadores e lideranças comunitárias da região. É uma boa oportunidade para os amigos e amigas do MTST conhecerem ou visitarem o acampamento, que fica na divisa entre São Paulo e Itapecerica da Serra.
Presença confirmada de:
* Gaspar - Zafrica Brasil
* Cocão - Versão Popular
* Jairo - Periafricania
* Sales
* Dugueto - Denegri
* Trupe Lona Preta de Palhaços
Data: sexta-feira, 22 de junho.
Horário: a partir das 19h.
Local: Acampamento da Vila Calu - Comunidade João Cãndido. Rua Plínio Dias, s/nº, Vila Calu - Divisa entre Itapecerica da Serra e São Paulo.
Referência: Campinho da Vila Calu.
Como chegar no acampamento de ônibus : No terminal Santo Amaro, pegar a linha Vila Calu/Terminal Santo Amaro, descer no ponto final e perguntar onde é o campinho da Vila Calu.
ou:
No largo de Pinheiros, pegar a linha Jd. Jacira/Pinheiros, descer no Terminal Jardim Jacira e perguntar onde é o campinho da Vila Calu.
Convidamos os amigos e amigas do MTST para a próxima atividade cultural do acampamento:
Sábado, 12 de maio
20h - VI Sarau da Ocupação João Cândido.
Como chegar no acampamento:
De ônibus: no Largo da Batata, pegar o Valo Velho e descer no ponto final (Compre Bem). Depois da passarela (ao lado do ponto final), virar à esquerda na rua com placa para o Jd. Cinira. Descer até a padaria Flor do Valo, pegar a direita, na Av. Soldado Gilberto Augustinho, subir esta avenida e virar uma rua depois do Mercado Guimarães.
Ou: no ponto final do Valo Velho, pegar a van Cinira até a entrada do terreno, depois do Mercado Guimarães.
De carro: seguir pela estrada do Campo Limpo até o fim, virar à direita na Estrada de Itapecerica da Serra em direção ao Valo Velho. O acampamento fica na primeira à esquerda depois da passarela do Valo Velho (Km 26), entre a Av. Soldado Gilberto Augustinho e a Rua do Campestre.
Convidamos os amigos e amigas do MTST para as próximas atividades culturais do acampamento:
Sábado, 21 de abril
18h - Cine Sem-teto: projeção de vídeos.
20h - V Sarau da Ocupação João Cândido.
Como chegar no acampamento:
De ônibus: no Largo da Batata, pegar o Valo Velho e descer no ponto final (Compre Bem). Depois da passarela (ao lado do ponto final), virar à esquerda na rua com placa para o Jd. Cinira. Descer até a padaria Flor do Valo, pegar a direita, na Av. Soldado Gilberto Augustinho, subir esta avenida e virar uma rua depois do Mercado Guimarães.
Ou: no ponto final do Valo Velho, pegar a van Cinira até a entrada do terreno, depois do Mercado Guimarães.
De carro: seguir pela estrada do Campo Limpo até o fim, virar à direita na Estrada de Itapecerica da Serra em direção ao Valo Velho. O acampamento fica na primeira à esquerda depois da passarela do Valo Velho (Km 26), entre a Av. Soldado Gilberto Augustinho e a Rua do Campestre.
Na noite de 16 de março, centenas de famílias sem-teto ocuparam um latifúndio urbano em Itapecerica da Serra, periferia da região metropolitana de São Paulo. As centenas viraram milhares, o sertão virou um mar de lona preta, o vazio virou vida. Ao receber um nome, a ocupação fez reviver a força de um revolucionário que lutou contra a opressão. Ao se organizar, transpôs as dificuldades cotidianas e construiu um acampamento com estruturas comunitárias, trabalho coletivo e relações solidárias. Ao lutar, conquistou avanços na garantia do direito à moradia digna.
Temos 1 mês de razões para comemorar. Convidamos os amigos e amigas do MTST para partilhar esse momento conosco, em uma tarde com programação especial:
DOMINGO, 15 DE ABRIL
14h – Grupo Engenho Teatral, com a peça Em pedaços
14h40 – Assembléia com participação dos apoiadores da ocupação.
15h15 – Mística com representação da história de luta do almirante negro , João Cândido, associada à história de luta da Ocupação João Cândido.
16h – Inauguração da estrutura física da Ciranda (espaço de Educação Infantil).
17h – Refeição coletiva, com pratos preparados pelas cozinhas comunitárias do acampamento.
18h – Shows musicais com grupos do acampamento e convidados. Já confirmaram a participação Wesley Noog (samba-rock), Periafricania e Denegrir (rap).
Ocupação João Cândido: 1 mês de existência, 1 mês de resistência.
Como chegar no acampamento:
De ônibus: no Largo da Batata, pegar o Valo Velho e descer no ponto final (Compre Bem). Depois da passarela (ao lado do ponto final), virar à esquerda na rua com placa para o Jd. Cinira. Descer até a padaria Flor do Valo, pegar a direita, na Av. Soldado Gilberto Augustinho, subir esta avenida e virar uma rua depois do Mercado Guimarães.
Ou: Ou: no ponto final do Valo Velho, pegar a van Cinira até a entrada do terreno, depois do Mercado Guimarães.
De carro: seguir pela estrada do Campo Limpo até o fim, virar à direita na Estrada de Itapecerica da Serra em direção ao Valo Velho. O acampamento fica na primeira à esquerda depois da passarela do Valo Velho (Km 26), entre a Av. Soldado Gilberto Augustinho e a Rua do Campestre.
Convidamos os amigos e amigas do MTST para as próximas atividades culturais do acampamento João Cândido.
Sábado, 7 de abril
19h - III Sarau da Ocupação João Cândido. Arte e cultura de resistência da (e na) periferia, feita por nós e para nós. Uma fogueira, um lampião, música, poesia, teatro, projeção de vídeos, capoeira, e o que mais a gente inventar.
22h - Forró. Vamos esquentar as sanfonas desse acampamento...
Quarta-feira, 11 de abril
14h - Cia. Monocirco , no show "Balaio de Graça".
Como chegar na Ocupação João Cândido:
De ônibus: no Largo da Batata, pegar o Valo Velho e descer no ponto final (Compre Bem). Depois da passarela (ao lado do ponto final), virar à esquerda na rua com placa para o Jd. Cinira. Descer até a padaria Flor do Valo, pegar a direita, na Av. Soldado Gilberto Augustinho, subir esta avenida e virar uma rua depois do Mercado Guimarães.
Ou: no ponto final do Valo Velho, pegar a van Cinira até a entrada do terreno, depois do Mercado Guimarães.
De carro: seguir pela estrada do Campo Limpo até o fim, virar à direita na Estrada de Itapecerica da Serra em direção ao Valo Velho. O acampamento fica na primeira à esquerda depois da passarela do Valo Velho (Km 26), entre a Av. Soldado Gilberto Augustinho e a Rua do Campestre.
Panorama do acampamento João Cândido
. O sertão virou mar
A situação habitacional precária da região fez com que o número de famílias acampadas chegasse a aproximadamente 2.500 em uma semana. A paisagem impressiona: o latifúndio urbano vazio se transformou em um verdadeiro mar de lona preta.
. Quem somos, quantos somos
Para que o movimento conheça melhor a condição de vida dos acampados, está em curso o cadastramento das famílias, que colhe informações essenciais como quantidade de adultos e crianças, situação de emprego e renda familiar.
. Criar poder popular!
Na maior parte da ocupação, os barracos já foram numerados e divididos em núcleos, que têm como objetivo facilitar a organização do acampamento. Cada grupo terá um coordenador e responsáveis pelas principais tarefas setoriais: infra-estrutura, higiene e limpeza e disciplina. Esses companheiros estão sendo definidos nas primeiras reuniões dos núcleos, que tratam dos princípios do movimento e do regimento interno do acampamento.
. Você tem que assumir o comando!
Os coordenadores e companheiros responsáveis por organizar as tarefas setoriais dos núcleos estão participando de reuniões de formação política. Nesses encontros há dinâmicas de trabalho em grupo, discussões sobre o MTST e sobre a organização do acampamento, baseadas na cartilha do movimento. As questões setoriais são abordadas num âmbito político, com a inserção dos acampados na solução dos problemas.
. Ô cirandeiro, cirandeiro, ó
A Ciranda do acampamento João Cândido está realizando atividades com as crianças (a partir de 2 anos) diariamente. Nos primeiros encontros, o coletivo de Educação do MTST têm auxiliado os meninos e meninas a elaborar essa experiência tão intensa que é a ocupação, por meio de rodas de conversa, histórias, atividades artísticas e lúdicas. Como parte desse trabalho, crianças e pais assistiram a uma encenação dos “palhaços sem-teto”, na semana passada. A molecada também deixou o acampamento mais bonito: o barracão coletivo ficou alegre e colorido com desenhos colados na lona preta.
. Fogo no pavio!
Na sexta-feira (23/03), recebemos a visita do rapper GOG, autor do verso Revolucionários do Brasil, fogo no pavio! , que se tornou um grito de ordem do MTST. Entusiasmado com o acampamento, GOG caminhou pelo terreno, manifestou seu apoio à ocupação e cantou com o pessoal. Desta vez, "Revolucionários do Brasil" foi puxado pelo próprio "pai", um dos maiores poetas do Hip Hop brasileiro.
. Agora é nóis!
Uma noite de arte e cultura de resistência da (e na) periferia, à luz da lua, fogueira e lampião. Rap, viola, poesia e teatro, com grande participação da comunidade. Este poderia ser o retrato falado do I Sarau da Ocupação João Cândido, realizado no sábado passado (24/03). Mas não adianta ouvir relatos ou ver fotografias. Para saber o que significam os saraus do MTST, só participando. Perdeu? Não tem problema, sábado que vem tem mais. E no próximo, e no próximo, e no próximo... também. É só "colar" às 20h no acampamento.
. Sessão pipoca
Não, pipoca não tem, mas cinema tem toda noite. A Brigada de Guerrilha Cultural do MTST está promovendo projeções dos vídeos do movimento, filmes populares e documentários. Numa região com tanta carência na área cultural, "pipoca" gente pra assistir às sessões.
. De várzea
Uma das grandes paixões nacionais tem espaço garantido no acampamento. E bota espaço nisso... Que tal morar em um terreno que possui três campos de futebol? As famílias do João Cândido têm esse privilégio. Os campos facilitam a integração do acampamento com a comunidade do entorno (pois vários times da vizinhança jogam no terreno), e garantem o lazer dos acampados (afinal, nem só de trabalho duro vive uma ocupação). Com tanta gente querendo bater uma bola, sempre tem um time de "próximo".
. La lucha sigue
Na assembléia de sábado (24/03), foi marcada uma manifestação para terça-feira (27/03) de manhã. Por questões de segurança, os detalhes da luta serão mantidos em sigilo.
. Gente que apóia a gente
Representantes de movimentos sociais, entidades e parlamentares visitaram o acampamento João Cândido no sábado (24/03) para manifestar apoio à ocupação. Estavam presentes: Conlutas, Fomaesp, Sindicato dos Químicos Unificados, Apeoesp, MR8, PC do B de Santana, Movimento Sem Terra de Taboão da Serra, União dos Movimentos de Moradia Independentes da Zona Sul, Movimento Unificado Sem Teto de São José dos Campos, Sintusp, Sindicato dos Servidores Públicos Federais, assessoria do deputado estadual Carlos Gianazzi, assessoria do deputado estadual Simão Pedro e vereador Paulo Félix (Taboão da Serra). Dos apoios internacionais, compareceram: Tendência Classista Combativa (Uruguai), Central Operária Boliviana e um companheiro do Haiti.
Hoje à noite (23/03), a ocupação João Cândido, em Itapecerica da Serra, completa uma semana de luta e resistência. O acampamento está se estruturando e as atividades culturais já estão a todo vapor. Confira a programação deste final de semana:
. Sexta-feira, 23/03, às 19h30: visita do rapper GOG , um dos mais expressivos e politizados do País.
Estou sonhando? Pensava: me acordem
Quero contar ao meu mundo essa nova ordem
Onde não se compram endereços, se conquista o lar
Sonhando descobri onde podemos chegar
Acordei e não consigo mais me conformar
Onde estamos não podemos ficar
(Rua sem nome, barraco sem número, GOG)
. Sábado, 24/03, às 20h: I Sarau da Ocupação João Cândido: música, poesia, teatro e projeções. Vamos aliar a experiência da Brigada de Guerrilha Cultural do MTST na organização de saraus em outras ocupações e comunidades ao talento e à experiência de vida das famílias do acampamento João Cândido.
Participe! A presença dos amigos e amigas do MTST será muito importante para o fortalecimento da ocupação e da luta das famílias acampadas.
Revolucionários do Brasil, fogo no Pavio!
Como chegar na Ocupação João Cândido:
De ônibus: no Largo da Batata, pegar o Valo Velho e descer no ponto final (Compre Bem). Depois da passarela (ao lado do ponto final), virar à esquerda na rua com placa para o Jd. Cinira. Descer até a padaria Flor do Valo, pegar a direita, na Av. Soldado Gilberto Augustinho, subir esta avenida e virar uma rua depois do Mercado Guimarães.
Ou: no ponto final do Valo Velho, pegar a van Cinira até a entrada do terreno, depois do Mercado Guimarães.
De carro: seguir pela estrada do Campo Limpo até o fim, virar à direita na Estrada de Itapecerica da Serra em direção ao Valo Velho. O acampamento fica na primeira à esquerda depois da passarela do Valo Velho (Km 26), entre a Av. Soldado Gilberto Augustinho e a Rua do Campestre.